Categoria: ‘Vida Cristã’

Uma Herança Espiritual—Parte 1

4 de outubro, 2008
Pois a promessa é para vocês, e para seus filhos e para todos os que estão longe.—Atos 2.39
(Um Albúm de Recordações (de 1941)

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Tenho estado ausente do meu blog por simples falta de tempo. Comecei várias postagens, mas todas ficaram no meio, por alguma razão ou outra. Vamos ver se termino esta, pois tenho viajado, palestrado, e faço parte de um Conselho Diretivo de uma Instituição de ensino e de um grupo de senhoras que trabalham com esposas de seminaristas. Além disso, trabalho com traduções e procuro escrever artigos, hospedar amigos e ainda cuidar da minha família. Tudo isso toma tempo e me deixa um pouco exasperada, às vezes, por não conseguir terminar o que quero…

Ao mesmo tempo, desde que nos mudamos (já faz mais do que um ano) para o apartamento atual, tenho o propósito de examinar e reorganizar o conteúdo das dezenas de caixas que são fruto do acumulo de 35 anos de convívio, quatro filhos, documentos de antigas empresas nas quais trabalhou o meu marido, contas pagas desde 1974, etc., etc. Haja treco!

Está me dando enorme prazer encher grandes sacos de lixo com as coisas que não são mais relevantes à nossa vida (e escondê-los de Mamãe porque ela consegue visualizar possíveis usos para qualquer pedaço de papel, e não importa que já tivemos uns dez mil outros iguaizinhos guardados há vinte ou trinta anos, sem serem aproveitados ☺ ).

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Apenas Seis Palavrinhas

17 de agosto, 2008

A ansiedade no coração abate, mas a boa palavra alegra.—Provérbios 12.25

Alguns dias atrás minha irmã me mandou um e-mail contendo um agradecimento da esposa de um antigo professor nosso. Este senhor acabara de passar três semanas convivendo com a igreja e a família da minha irmã, ensinando, pregando e participando de um sínodo. Foi hospedado e ciceroneado por eles e, agora, estava de volta no seu lar, no outro lado do país. Isso me relembrou do impacto, na minha vida, de seis pequenas palavras, faladas por esta senhora que nunca cheguei a conhecer bem.

Assim, meus pensamentos voltaram ao passado — aos tempos quando estudávamos (meu marido e eu) numa faculdade evangélica nos Estados Unidos. O Dr. Oliver era nosso professor de alguns cursos bíblicos—especialmente Filosofia da Fé Cristã (curso em Teologia Sistemática, usando o livro de Louis Berkhof). Nessa capacidade ele teve um enorme impacto na nossa compreensão das doutrinas reformadas—reforçando aquilo que ambos já havíamos aprendido desde crianças. Professor acessível, conversava bastante com meu marido e apoiou sua ida subseqüente ao seminário. Ele fazia parte do nosso dia-a-dia…

A sua esposa, a que escreveu para minha irmã, por outro lado, raramente aparecia na escola. De vez em quando, assistia a programações especiais. Eu a conhecia de vista, mas, sendo muito tímida, nunca me aproximei dela. Entretanto, um dia, creio que foi no meu segundo ano, ficamos lado a lado e ela começou a conversar comigo. Não me lembro do assunto, nem da ocasião, mas penso que devo ter falado algo que refletia a minha insegurança a respeito da minha aparência – magra, alta, acanhada com as pessoas.

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Alta, Magra e Tímida
Eu (com 12 anos e 1,75m), minha irmã e minha mãe, em 1964

As palavras que ela então falou me marcaram pelo resto da vida. Ela disse que sempre me admirava quando me via e falou: You carry yourself like a queen. (Você se porta como uma rainha.)

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Habilidade, Arte e Solidariedade

16 de julho, 2008

Já faz duas semanas que voltamos dos Estados Unidos. Ainda pretendo publicar várias postagens sobre as bênçãos daquele período, sobre as quais já comecei a escrever. Entretanto, agora, quero inserir um relato sobre uma visita que fiz ontem, juntamente com duas outras senhoras que fazem parte da liderança do grupo “Conte Comigo”. Nosso trabalho é com as esposas dos seminaristas que vêm de todas as partes do país para estudar no seminário da nossa denominação, localizado em Campo Belo (Rev. José Manoel da Conceição – JMC). Normalmente, o nosso envolvimento tem sido mais com a parte espiritual e relacional, promovendo estudos e encontros com elas.

Aos poucos, entretanto, Deus está começando a chamar a nossa atenção à possibilidade de também interagirmos com as necessidades materiais destas famílias, especialmente com a chegada do frio. Desta vez uma senhora do nosso grupo (Dona Oneidia) pediu a ajuda de uma igreja, com doações focadas especialmente em aliviar o frio daqueles que vieram de lugares mais quentes. Assim, ontem à tarde, fomos receber o que angariaram, propositadamente no dia em que senhoras da igreja se reúnem para costurar e fazer trabalhos de artesanato. Tendo levado a minha máquina fotográfica mais caneta e papel, tornei-me a repórter involuntária desta visita, para compartilhar o que vimos com as outras senhoras da liderança do nosso grupo. E já que eu estava com a “mão na massa”, resolvi blogar sobre o assunto.

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Betty, Minka, Claudia e Oneidia

Fomos levados a uma sala cheia de mesas, máquinas e armários, onde estavam umas dez mulheres, mais uma menina, sentadas ao redor das mesas, trabalhando e conversando. Desta vez, não vi ninguém costurando—todas estavam bordando, fazendo crochê ou pintando. Uma senhora chamada Claudia nos fez as honras, como cicerone, e foi explicando o trabalho, daquilo que nos pareceu uma bem-estruturada obra de beneficência.

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Na Sala de Espera

22 de abril, 2008
Reflexões em torno de um Aquário

Há quatro dias, acompanhei meu marido ao hospital para ele fazer um exame de ressonância magnética. Enquanto ele preenchia uma tonelada de questionários, eu me aproximei do aquário num lado da sala de espera.

Aquários me fascinam. Toda vez que olho, vejo algo mais. Seres belos, maravilhosos, bizarros, misteriosos… E, sem perceber, absorvo a paz e a serenidade que os donos normalmente pretendem comunicar ao ambiente em que me encontro.

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Não sei quantas vezes na minha vida já tive o privilégio de ficar parada diante do vidro de um aquário com um ou mais dos meus filhos, admirando e comentando o formato, as cores e a variedade dos seres aquáticos ali contidos. Normalmente em momentos de doenças ou de alegrias—em hospitais, clínicas médicas, shopping centers ou restaurantes… Voltando periodicamente à contemplação, quando as minhas tentativas de entretê-los se esgotavam, para descobrirmos mais seres, mais formatos e mais cores; e maravilharmo-nos com a criatividade do nosso Pai celestial, apenas naquele microcosmo do nosso imenso universo.

Meu marido me passa seu celular e entra pela porta do centro diagnóstico a caminho do seu teste…

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A Minha Vida Ficou Mais Florida (4)

10 de abril, 2008

Ontem e hoje, tenho participado (na platéia) de palestras relacionadas ao darwinismo (mais informações aqui). Estão acontecendo num ambiente que dá voz a várias perspectivas. Escutei o proponente do darwinismo, um senhor bastante sério e preparado mas que, obviamente, parte do princípio que não existe um Deus criador. Que tudo saiu do nada, pelo acaso. Fiquei tão triste por ele…

Também creio que tudo saiu do nada (ex nihilo). Mas não pelo acaso. Houve/há um Criador. E Ele se revela a mim não apenas através da beleza e harmonia da natureza mas também por revelação escrita. E a maravilha da perspectiva bíblica é que eu conheço as minhas origens, sei o meu destino e me deleito em propósito e significado.

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Enquanto eu sentava e escutava, e anotava, e avaliava, eu lamentava pelo palestrante e pelos milhões de outros que são levados a negar e rechaçar esta preciosa compreensão… E minha mente voltou a algo escrito por Mamãe Valderez nas recordações das quais já falei antes, pois ontem passei um bom tempo pescando os trechos que falam da sua empolgação com a beleza da natureza em tantas fases da sua vida. A princípio, havia pensado em postar isto por último, como conclusão dos seus pensamentos. Mas agora sinto necessidade de compartilhar a oração de adoração que jorrou do seu coração ao encerrar um relato sobre como sobreviveu à febre tifóide quando era uma menina de sete ou oito anos.

Ela pergunta a Deus por que lhe poupou—porque permitiu que ela tanto vivesse. Ela não sabe a resposta mas as linhas seguintes demonstram a intensa necessidade que sente para reconhecer e agradecer a presença, participação e bondade divina em todos os pormenores da sua vida. E ela vai listando… E quando chega na grandiosidade das “obras das suas mãos” ela não consegue apenas falar em termos gerais. Tem que vasculhar a memória para apontar não apenas os seres humanos mas também nomear os outros seres vivos—plantas, aves e animais que Ele permitiu que se destacassem nas suas lembranças por sua beleza ou singularidade.

Vejamos a narrativa (cabe informar que, além de pastor e fazendeiro, seu pai era farmacêutico e era chamado por muitos para tratar das suas doenças nas cidades e vilas onde não havia médicos)…

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Reflexões sobre Hospitalidade e Fraternidade (7)

19 de março, 2008

Hoje vou tocar num assunto mais ou menos tabu entre os pregadores e palestrantes que conheço. Podem até comentar entre si, brincando ou comiserando-se mutuamente, conforme for o caso, mas eles procuram ser cuidadosos no que falam aos outros porque é melhor “sofrer o dano” do que ser “causa de tropeço” por parecer ganancioso, mercenário ou mal-agradecido. Eu, entretanto, tenho observado os efeitos negativos de falta de cuidados nesta área, não tanto nos preletores em si, mas nas suas famílias.

Pretendo tocar aqui na questão de cobrir as despesas daqueles que vêm ministrar ou servir à sua comunidade.

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Reflexões sobre Hospitalidade e Fraternidade (6)

14 de março, 2008

Agora mudarei de “tom” e, como prometi, escrever partindo do ponto de vista da esposa de um preletor que viaja frequentemente. Há alguns meses, Rev. Augustus Nicodemus postou algumas reflexões sobre hospedagem de preletores. Se você estiver pensando em convidar e abrigar algum pregador, palestrante, missionário ou conferencista, visite os seus pensamentos aqui e depois, se quiser, pode voltar para ver os meus.

Vou falar deste assunto, meio cheia de dedos neste teclado, talvez mudando alguns detalhes aqui e ali, na esperança que ninguém se magoe com minhas observações. Nem quero assustar ou desanimar alguém. Gostaria muito que você continuasse (ou começasse) a abrir o seu lar para os servos de Deus chamados para ministrar à sua comunidade. Bom também seria se os ministros convidados sentissem desejo e até necessidade de conhecer outros irmãos na intimidade do seu lar, como seus hóspedes.

Creio que tanto o hospedar quanto o permitir-se ser hospedado são aspectos importantes na confraternização e ministério de irmãos cristãos. E há lugar para aprendermos a lidar com ambos de maneira que possamos gerar situações benéficas e abençoadoras para todos os envolvidos.

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Reflexões sobre Hospitalidade e Fraternidade (5)

9 de março, 2008

Depois de descrever a boa acolhida que desfrutamos numa recente estadia em Manaus e de gastar mais três postagens examinando perspectivas e experiências bíblicas sobre hospitalidade, estou me preparando para deixar as reflexões bíblicas e escrever partindo do ponto de vista da esposa de um preletor que viaja freqüentemente.

De fato, comecei a série escrevendo um texto que ainda não publiquei. Entretanto, percebi que eu precisava consolidar a minha própria compreensão do assunto, para determinar se as minhas impressões e atitudes seriam verdadeiramente bíblicas. Pois o ser humano sempre carrega consigo uma tendência egoísta que o cega para coisas que parecem óbvias para o outro lado de um relacionamento, ou de uma interação. Portanto, comecei a procurar (e compartilhar) um contexto primeiro para que aquilo que eu concluísse fosse confirmado ou modificado para ser mais do que simplesmente “eu acho”. Vejo, agora, que para fazer a transição do teórico para o prático, preciso falar de mais um personagem da Bíblia—o Filemom.

A carta do apóstolo Paulo a Filemom é uma missiva curta, mas rica em detalhes. Permita-me lançar meu “olhar feminino” sobre ela e ir um pouco além da visão lacônica da maioria dos comentaristas masculinos.

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Evitando?… Ou Aprendendo a Apreciar?…

4 de fevereiro, 2008

Faz tempo que não publico uma “Crônica de Isabel” (tem uma coleção de crônicas sobre ela postada nos arquivos de março e abril de 2006). Aqui vai uma, para matar as saudades…

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Ela é uma senhora baixinha com o rosto bem redondo. A testa parece grande pois os longos cabelos grisalhos foram puxados e amarrados por trás da cabeça. Uma tiara da mesma cor ajuda a segurá-los no lugar. A roupa é simples, mas limpa. Assídua nos cultos, sempre se senta bem na frente. Isabel imagina que ela não sabe ler pois nunca manuseia a Bíblia ou um hinário. Mas balança a cabeça e reage enquanto o pregador ou o professor fala, obviamente atenta. Sempre está sozinha.

Ao fim da Escola Dominical, enquanto Isabel conversa com amigos e irmãos no salão atrás do templo, a Dona Josefina aparece de novo. Paira no limiar da sua visão, lá no canto, quieta, apenas observando… Não, é mais do que observando… É como se estivesse espreitando… Isabel percebe que está na mira dela.

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Reflexões sobre Hospitalidade e Fraternidade (4)

27 de janeiro, 2008

Já postei três vezes sobre hospitalidade e ainda não esgotei o assunto! Continuo pesquisando mais personagens hospitaleiras no Novo Testamento. Desta vez, vou partir da menção de um senhor com um nome que é raramente usado hoje em dia—Carpo. Eu, pelo menos, não conheço nenhum Carpo. E você?

Cada vez que escrevo, principalmente quando não tenho as limitações de uma editora “caxias” vigiando a quantidade dos meus toques, ou de minhas palavras, termino escrevendo trechos compridos, muito compridos… Começo com um pensamento básico e uma coisa vai levando a outra…

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